terça-feira, 6 de outubro de 2026

A Escravidão nos dias de hoje

O cenário do trabalho análogo à escravidão no Brasil combina um histórico secular de desigualdade com a atuação rigorosa de órgãos de fiscalização. Desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), em 1995, o país já resgatou mais de 70 mil trabalhadores dessas condições.

As estatísticas oficiais, consolidadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e disponibilizadas no painel do Radar SIT, traçam o perfil e o panorama geográfico desse crime no país:
Panorama Geral de Resgates
  • Aumento de casos: Em 2025, as fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram 2.772 pessoas em condições análogas às de escravo. Esse volume representou uma alta de 26,8% em comparação com o ano anterior (2.186 resgatados).
  • Ações e Penalidades: Foram realizadas 1.594 operações fiscais específicas em 2025. As forças-tarefas aplicaram cerca de R$ 41,8 milhões em multas e garantiram mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores libertados.
Perfil Socioeconômico das Vítimas
Os dados estatísticos reforçam como a vulnerabilidade social dita o alvo dos aliciadores:
  • Gênero: A esmagadora maioria das vítimas é composta por homens (86%).
  • Recorte Racial: Cerca de 83% dos resgatados se declaram pretos ou pardos, escancarando o racismo estrutural e a herança do período colonial brasileiro.
  • Origem Geográfica: O Nordeste se destaca como o principal polo de origem das vítimas, concentrando 65% do local de nascimento dos trabalhadores resgatados.
Onde a Exploração Acontece?
Historicamente, o crime concentrava-se de forma expressiva no interior profundo do país (como no Cerrado e na Amazônia). Contudo, houve uma mudança drástica de comportamento recente:
  • A Virada Urbana: Pela primeira vez no registro histórico nacional, o meio urbano concentrou a maior parte dos resgates, respondendo por 68% dos casos identificados em 2025.
  • Setores com maior incidência: As atividades que mais registram flagrantes de exploração urbana e rural incluem:
    1. Alvenaria e construção de edifícios
    2. Administração pública (terceirizações fraudulentas)
    3. Lavouras agrícolas (especialmente café, batata e cebola)
    4. Pecuária (criação de bovinos de corte)
    5. Trabalho doméstico (mulheres mantidas em servidão contínua, muitas vezes desde a infância).
A "Lista Suja" do Trabalho Escravo
Um dos instrumentos mais eficientes de combate no Brasil é o Cadastro de Empregadores, conhecido popularmente como a "Lista Suja". Atualizada semestralmente (em abril e outubro) pelo governo federal, ela expõe os nomes de pessoas físicas e jurídicas flagradas cometendo esse crime, após processos administrativos sem possibilidade de recurso.
Na última atualização da lista, foram incluídos 82 novos empregadores — responsáveis diretos pelo cerceamento da dignidade de 553 trabalhadores. O estado de Minas Gerais liderou os novos registros negativos (19 casos), acompanhado pela Bahia (8), Amazonas (6) e Maranhão (6).
Canais de Denúncia
Qualquer suspeita de violação de direitos, alojamentos degradantes ou cerceamento de liberdade pode ser denunciada anonimamente pelo portal Sistema Ipê, canal unificado e mantido pelo Governo Federal em parceria com a OIT.

REFLEXÃO DO DIA 06.10.26

Nós somos a medida do Universo que nos rodeia. Quando colocamos um par de óculos embaçado, teremos a sensação de que tudo que conseguimos ver está turvo e sem qualquer nitidez. 

Este quadro se reverte quando percebemos que não é o mundo que está sujo e sim as lentes do óculos, as limpamos e tudo se torna visível e nítido. 


De certa forma, agimos de modo semelhante em nossa vida, quando projetamos o nosso humor embaçado em tudo aquilo que se comunica conosco, principalmente em nosso próximo.


Não percebemos que, na maioria das vezes, o que recebemos é a exata “medida” do que oferecemos. Quem se acostuma sorrir sempre, encontrará muitos sorrisos ao seu redor. Quem semear mau humor, não colherá boa resposta.


Assim, durante a nossa jornada terrena, em meio aos percalços, quando desconfiarmos que algo nos pareça “triste”, busquemos em nós a resposta e, acolhendo novamente a manifestação da alegria,  a retomamos para nós, para os que nos rodeiam  e conosco caminham. 


Não desistamos da alegria em hipótese alguma, ela é a base para a conquista da nossa qualidade de vida, e saudavelmente contagiante por onde quer que passemos. Desembacemos o nosso humor, sempre!


Uma excelente terça-feira para todos nós.


Um abraçaço!

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

REFLEXÃO DO DIA 05.10.26


Saber calar é ter autodomínio e sabedoria. Demoramos a aprender a falar, mas quando começamos, não queremos mais parar. As palavras só deveriam sair da nossa boca depois de muita cautela e meditação 

Ao meditarmos temos a oportunidade de aprofundar o que vamos dizer e retirar as palavras que não são verdadeiras ou que, mesmo verdadeiras, não sejam ofensivas. 

Se ainda temos dúvidas, é sinal de que a nossa meditação ainda não está madura. Ao proferirmos palavras impensadas, estamos prestando um desserviço ao meio em que convivemos e a nós mesmos.

Se repetimos o que ouvimos sem questionar os fundamentos, poderemos nos tornar co-autores de injustiças. Quem consegue manter a calma e evita revidar, mesmo tendo razão, atingiu um elevado grau de autodomínio e maturidade.


Nesta segunda-feira, iniciemos a semana, nos lembrando da advertência do Cristo em Mt. 15,18: “Mas o que sai da boca, vem do coração, e é isso que contamina o homem”. Zelemos, então, do nosso linguajar, semeando apenas as boas palavras e seremos contaminados apenas pelo bem.


Um abraçaço!

Fatos Maçônicos e Outros acontecimentos do dia 5 de outubro:







A MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL


Para falar da influência da Maçonaria na independência dos países da América do Sul, é de justiça começar pelo educador ideológico dos próceres americanos, chamado o precursor Francisco Antonio Gabriel de Miranda e Rodríguez, nascido em Caracas em 28 de março de 1750. Miranda foi iniciado em 1780 na Loja América de Virginia (USA), nada menos que pelo Irmão George Washington. Na sua vida teve glórias e distinções das mais altas, concedidas por personalidades da Europa, EEUU e Rússia, mas nunca se deixou levar pela vaidade e, em todo momento, com fé de um verdadeiro maçom, manteve latente seus ideais de independência para as colônias espanholas da América. Foi em Londres que o Irmão Miranda começou a fazer seu trabalho de doutrinar os patriotas americanos. Em 1797 fundou a "Loja Grão Reunião Americana" que funcionava na Grafton Street, 27, Fitzroy Square, perto de Piccadilly Circus. O Irmão Miranda morava nesse mesmo endereço e desenvolvia algumas atividades particulares que lhe garantiam a sobrevivência o que, na realidade, servia mais para disfarçar seus trabalhos para selecionar as pessoas certas para a causa americana.

                                                                                    

É grande e importante a lista de patriotas que receberam a luz maçônica do malhete do Irmão Miranda e que logo se espalharam pelo Continente levando a semente revolucionária, explicando-se deste modo, porque a Revolução da Independência foi simultânea no Continente, fenômeno que tem chamado a atenção dos historiadores. Somente para citar alguns dos maçons preparados pelo Irmão Miranda, temos: Bernardo O´Higgins Riquelme, Libertador do Chile, sua pátria; Carlos Montúfar, ilustre militar equatoriano; Vicente Rocafuerte, Presidente da República do Equador; Bernardo Monteagudo, notável estadista argentino; José Cecílio del Valle, político e jurisconsulto hondurenho que foi eleito Presidente da sua pátria mas morreu antes de tomar posse; Pedro José Caro, político cubano; Servando Teresa de Mier, jurisconsulto mexicano; José Miguel Carrera, o primeiro dos Presidentes do Chile (O´Higgins o antecedeu mas com o título de Diretor Supremo); Mariano Moreno, jurisconsulto argentino; Pedro Fermín de Vargas, ilustre filho de Socorro que hoje é o departamento de Santander, Colômbia; Simon Bolívar, o Libertador; Antonio Narino, o precursor da emancipação de Nueva Granada a Colômbia de hoje desde 1831 (data da divisão da Gran Colômbia) até 1858, quando tomou o nome de Confederação Granadina; Andrés Bello, famoso educador, poeta, jurisconsulto e diplomata venezuelano posteriormente naturalizado chileno; José de San Martín, argentino e libertador de três países. A lista é longa e para não estende-la em demasia, podemos completar com os nomes do venezuelano Luis Méndez, dos chilenos José Cortés de Madariaga, Manuel José de Salas, Juan Antonio de Rozas, Gregorio Argomedo, Juan Antonio Rojas, os granadinos (colombianos) Francisco Antonio. Devemos esclarecer aos nossos leitores que devido a discrição própria da Maçonaria, e que sendo a finalidade da Loja Grão Reunião Americana decididamente revolucionária, os historiadores tem encontrado informações divergentes, mas a lista anterior tem o apoio de muitos deles. Como exemplo, citaremos três casos de divergências: o Irmão Carlos de Montúfar e Larrea teria sido iniciado em Paris; e quanto ao Irmão Simon Bolívar há historiadores que dão sua iniciação em Cádiz (1803) existindo ainda uma ata de uma Loja francesa em poder da Grande Loja da Venezuela, que cita que sua Iniciação e Elevação teriam acontecido nesta Loja, em Paris em 1805. O Irmão José de San Martín teria sido iniciado na Loja Legalidade de Cadíz, em 1808.


PRIMEIROS MOVIMENTOS NA EUROPA

Os patriotas começaram a se movimentar na Europa para obter apoio político. Foram instaladas outras Lojas como filiais da Grande Reunião Americana, em Paris e em Madri com o nome de Junta das Cidades e Províncias da América Meridional e, em Cadíz, como Sociedade de Lautaro ou Cavalheiros Racionais, tendo esta última uma grande importância devido a ser Cádiz o porto de enlace com a América do Sul. Daí os patriotas levavam e traziam notícias referentes a causa americana. Porém, era de Londres que emanavam todas as ordens para dar cumprimento ao Plano Emancipador de toda a América espanhola, conforme inspiração de Miranda. O Rei da Espanha, Fernando VII, de triste lembrança, odiava a Ordem e estava informado do papel que a Maçonaria desempenhava na Independência; sua maior preocupação era com a própria maçonaria espanhola que atuava principalmente através da imprensa, semeando sua mensagem de liberdade.   É bom lembrar que, anteriormente, o mais ilustre maçom da Espanha, o Irmão Pedro Pablo Abarca de Bolea, Conde de Aranda, como Primeiro Ministro de Carlos III, tinha proposto dar independência às colônias americanas e associá-las a Espanha numa espécie de "commonwealth". Numa nova etapa, a Maçonaria patriota estendeu sua ação ao próprio continente americano e, em diversas cidades, começaram a serem instaladas as célebres Lojas Lautarinas. O irmão Miranda viajou para os EEUU onde preparou a primeira expedição libertadora a Venezuela em 1806; a expedição foi um fracasso militar, mas conseguiu comover profundamente o sistema colonial espanhol.


AS LOJAS LAUTARINAS

San Martin regressou a Buenos Aires no início de 1812, quando o processo da independência tinha começado e colocado sua espada ao serviço da causa, enquanto secretamente instalava junto com os Irmãos Carlos Maria de Alvear e Matias Zapiola, a Loja Lautarina de Buenos Aires. É bom lembrar que na Argentina já existiam desde 1775 Lojas Maçônicas independentes dos Orientes da Irlanda e da França, mas em 1812 as citadas Lojas estavam totalmente desorganizadas.O nome de Sociedade de Lautaro ou Loja Lautarina ou Lautariana, este último nome conforme o léxico argentino, teria surgido numa conversação entre Miranda e O'Higgins em Londres, na qual este último mencionou o nome do toqui (chefe índio) militar dos índios araucanos do Chile na luta contra os invasores espanhóis na metade do século XVI e que ficou como exemplo de espírito libertário. Muito se tem discutido se as Lojas Lautarinas foram ou não maçônicas, ficando, finalmente, o consenso que não foram Lojas maçônicas regulares. Formadas com a finalidade de lutar pela liberdade dos povos americanos, eram autônomas, não submetidas a nenhuma Potência Maçônica regular. Possuíam um ritual muito similar ao de uma Loja regular, prestavam juramento e tinham 5 graus, a saber:

a) No 1º Grau, o iniciante comprometia-se com a vida e seus bens, a trabalhar pela Independência Americana.

b) No 2º Grau, fazia confissão de fé democrática;

c) No 3º Grau pedia-se ao filiando trabalhos de propaganda em prol dos novos ideais;

d) No 4º Grau o filiando era comissionado para influir sobre os funcionários públicos que, no momento supremo, poderiam favorecer a causa; e

e) No 5º Grau de caráter secreto e reservado aos grandes chefes, discutia-se a ação militar e a futura administração e governo político dos países a ser libertados. Este Grau tinha o nome de "Comissão do Reservado". A lenda mística das Lojas estava simbolizada por três letras U. F. V. que significavam União, Fé, Vitória. O'Higgins preparou o Regulamento e as Obrigações dos Irmãos os quais eram rigorosos especialmente os referentes ao segredo e a obediência às disposições da Loja, contemplando para os infratores até a pena de morte.  Este detalhe que tem criado muita polêmica por parte dos eternos inimigos da Ordem tem apresentado as Lojas Lautarinas como sociedades que mantiveram a coesão de seus membros mais por temor que por convicção aos seus princípios.


Autores maçônicos de prestigio, como Bartolomé Mitre (argentino) indicaram que estas penas eram somente de caráter moral ou simbólico (aliás, similar a como hoje é), não existindo antecedente de alguma eliminação física de pessoas devido a divulgação de segredos. De qualquer maneira, devemos levar em consideração que os costumes da época eram diferentes das atuais, mostrando os homens um desapego a vida que atualmente chama a atenção. Estando em jogo interesses tão elevados até que poderia ter sido normal a implantação de disciplinas tão rigorosas. Dando prosseguimento à tarefa de formação de uma base de apoio à causa revolucionária, San Martín muda para Mendoza, a cidade argentina que fica mais perto de Santiago, capital chilena, onde instalou uma Loja Lautarina. Incorporou-se nela Bernardo O'Higgins, que tinha sido parcialmente derrotado pelo exército espanhol na batalha da cidade chilena de Rancagua. Unidos os patriotas chilenos e argentinos, fundou-se mais uma Loja Lautarina em Tucumán. San Martín prepara seu plano para organizar um exército Libertador com chilenos e argentinos que iria a expulsar as forças espanholas definitivamente de Chile e Peru, como única forma para que o processo de Independência de Argentina, Chile e Peru fosse irreversível.


LIBERTAÇÃO DO CHILE 

O Chile foi libertado e O'Higgins tomou posse como Diretor Supremo da nova República. Começou a administrar um país pobre saindo de uma guerra estando com sua produção, administração, educação e estrutura social e jurídica atrasada ou nula. O'Higgins tomou diversas medidas, afetando seriamente as classes abastadas e as pertencentes à nobreza e em boa parte, a Igreja Católica, orientado pelo pensamento dos livres pensadores laicos agrupados nas Lojas Lautarinas. O sentimento contra O'Higgins ganhou força na crença que existia um poder superior que nas sombras tomava decisões e aplicava políticas, ficando as autoridades legítimas com simples "testas de ferro". Temos que reconhecer que houve erros, tais como o assassinato do herói popular Manuel Rodríguez, de posição política radical, o fuzilamento dos irmãos Carrera, dirigentes de um partido político antagônico e outros, próprios da inexperiência dos novos governantes.

                                                                                

San Martin desenvolveu a campanha do Peru, apoiado pelo mar por Lord Thomas Cochrane. Nesta etapa teve a oportunidade de demonstrar o seu humanismo maçônico quando se negou a abrir fogo contra a cidade de Lima, ganhando a inimizade de Cochrane e o risco de ter um motim na esquadra e no exército, obtendo, entretanto, a rendição de Lima sem derramar uma gota de sangue. Voltemos nossa atenção à Venezuela que em 19/04/1810 proclamou sua autonomia com o pretexto do exílio de Fernando VI; foi enviada uma comissão a Londres formada por Simon Bolívar, Luis López Méndez e Andrés Bello (todos maçons) que foi apresentada por Miranda ao governo inglês, mas sem resultados positivos. Os quatro voltaram a Caracas, onde Miranda em 05/07/1811 assinou a Declaração da Independência da Venezuela, numa reunião da Sociedade Patriótica (uma Loja maçônica que funcionava na clandestinidade), com a presença de Simon Bolívar, Peña, Iznardi, Espejo, Roseto, Yañez, Penalver e outras importantes figuras patrióticas, todos convictos de pertencer à maçonaria.

Simon Bolívar Na mesma data, outra sociedade secreta funcionava numa fazenda de Bolívar, que contava com a participação de Vicente Matias, Mariano Montilla, Francisco Iznardi, todos iniciados na Europa e Roscio, iniciado nos EEUU. Em 1811 fundou-se em Cumaná a Loja Perfeita Amizade No 74 sob os auspícios da Grande Loja de Maryland, EEUU. No seu quadro figuravam os nomes de Antonio José de Sucre, Santiago Mariño, Manuel Rivas, Miguel Aristeiguieta, Andrés Caballero, Agustín Armário, Diego Montes e José Francisco Bermúdez. Fala-se que Miranda, Bolívar, Rodrigues e outros maçons haveriam fundado em Barcelona a Loja Protetora das Virtudes No 1, em 01/07/1812. A reação dos realistas frente a independência da Venezuela foi forte. Miranda, solicitado pelos patriotas a assumir o governo como ditador, o que não condizia com seus ideais de liberdade, ocasionou clamoroso fracasso; capitulou em 25/07/1812 em San Mateo, acabando sua vida na prisão de La Carraca, Cádiz.

                                                                                                 

Bolívar começa sua triunfal epopéia militar que o leva a fama para toda a posteridade. No comando das tropas venezuelanas e colombianas libertou e proclamou a República da Colômbia, constituída por Nueva Granada e Venezuela, incorporando posteriormente Equador. Olhou para o sul e igual que San Martín percebeu que a liberdade da América não seria definitiva enquanto a Espanha ainda lutasse no Peru, onde San Martín já governava por um ano, realizando grandes reformas, porém sem conseguir expulsar totalmente o exército espanhol, que reforçara consideravelmente suas forças no interior do país. A viagem de Bolívar ao Peru foi um passeio triunfal. Sua entrada nas cidades parecia o regresso de um Imperador vencedor. Em Lima, aconteceu a famosa reunião com San Martín, a portas fechadas, na qual para evitar lutas fratricidas, San Martín cedeu a Bolívar a honra e a glória da eliminação das tropas espanholas do Perú e a libertação da Bolívia. O messiânico venezuelano, o Libertador, vai mudando para uma ambição sem limites. O contraste entre Bolívar e San Martín, do ponto de vista maçônico, é grande. Bolívar desprendeu-se de seus juramentos maçônicos quando significaram um entrave aos seus projetos. San Martín respeitou seus juramentos de nunca revelar os segredos maçônicos, negando-se a revelar os detalhes de suas brigas com a maçonaria, tendo regressado a Argentina e posteriormente partiu para o exílio.


A BATALHA FINAL

A libertação da América espanhola chegou a sua culminação com a batalha de Ayacucho no dia 09-dez-1824, que teve fatos de fraternidade e generosidade e elevados limites e que nunca serão esquecidos pelos maçons. Na noite anterior à batalha, as Lojas que funcionavam em ambos exércitos foram citadas separadamente em uma reunião para procurar uma solução que evitasse o derramamento de sangue, mas essa solução não foi encontrada. Foi feita, em seguida uma reunião em conjunto, mas também com o mesmo resultado negativo. No dia seguinte um maçom espanhol solicitou a permissão para que familiares e maçons que militavam em diferentes exércitos fossem autorizados a abraçar-se pela última vez. Uma centena de soldados americanos e espanhóis avançaram para se cumprimentar; no lado esquerdo ficaram os maçons, que após se abraçaram por três vezes, participaram de uma fraternal reunião que durou quase uma hora e foi emocionante. Encontraram-se, entre outros, os irmãos Rodil, Espartero, Vergara, Virrey José de la Serna, Venerável Mestre General Canterac, Past Master Marechal Jerônimo Valdez, General Monet, Antonio Tur e General Ballesteros, no lado espanhol, e os irmãos José Faustino Sanchéz Carrión, General Antonio José de Sucre, General José Maria Córdova, Tenente Coronel Vicente Tur (espanhol, mas pertencente ao exército patriota e irmão carnal de Antonio Tur) e General Antonio Valero de Bernabé, no lado americano. Ficou o exemplo da fraternidade maçônica, que não reconhece raças nem nacionalidades, ainda que nas circunstâncias mais dramáticas. Terminou a batalha com a vitória das armas americanas e quando o chefe espanhol, o maçom La Serna, ferido seis vezes, entregou sua espada ao General maçom, Sucre, este não aceitou, solicitando que continuasse nas mãos do bravo militar. As atenções que os prisioneiros e, especialmente os feridos, receberam, foi outra amostra de fraternidade extrema, como igualmente a Ata de Capitulação, em que a generosidade do vencedor ultrapassou as demandas do vencido.

                                                                                     

Sucre foi nomeado Presidente Vitalício da nova República da Bolívia, ficando somente até 1828, quando solicitou demissão e voltou para Venezuela. Em 1830 foi chamado para presidir a República do Equador. Viajando para tomar posse, foi surpreendido pelos seus inimigos, na Colômbia, morrendo assassinado.


BOLÍVAR DESENTENDE-SE COM A MAÇONARIA 

Bolívar, envaidecido pela sua glória, recorreu aos países aos quais deu a independência, tentando manter á Confederação sob as suas mãos. Mas as ambições de seus próprios comandados vão contra ele, passando a ser o alvo de numerosos "complots" em meio a profundas desavenças políticas. Até que aconteceu o atentado mais sério, em Bogotá no dia 25 de setembro de 1828, perpetrado por uma sociedade secreta dirigida pelo frei Arganil. Bolívar salvou-se por milagre e reagiu violentamente emitindo em 8 de novembro de 1828 um decreto que fechava todas as associações secretas, evidentemente incluindo à Maçonaria. Todo o ministério que acompanhava Bolívar era maçom, com exceção de um, mas contra a vontade de Bolívar não adiantava discutir e foram inúteis todas as argumentações dos Ministros. Começou assim o desentendimento e que seria definitivo de Bolívar com a Maçonaria. E bom lembrar que da vida maçônica de Bolívar no Peru ou em outros países, fora da Venezuela, não existem provas tangíveis. Somente existe uma confissão ao escritor maçom, oficial francês, Luiz Peru de la Croix, na qual Bolívar reconhece que, por simples curiosidade, ingressou na Maçonaria, tendo recebido o grau de Mestre em Paris, mas afastou-se posteriormente.


O OCASO DOS HÉROIS

A América estava liberada do domínio espanhol. O trabalho dos maçons estava terminado e a América já não necessitava de seus heróis. Miranda morre numa prisão em Cádiz; San Martin exilou-se na França onde morre longe da pátria por ele libertada; O'Higgins morre exilado no Peru; Sucre é assassinado na Colômbia; Bolívar doente, morre desterrado na ilha de Santa Maria (Venezuela) protegido nos seus últimos dias por um espanhol. Todos morreram pobres, abandonados por quem tanto lutaram.


A LUTA IDEOLÓGICA NO BRASIL 

De forma similar aos patriotas da América espanhola, os brasileiros que iriam a dirigir o processo da Independência da sua Pátria desenvolveram seus estudos na Europa, principalmente em Portugal, onde toda a intelectualidade da época achava-se altamente influenciada pela Revolução Francesa com sua Declaração dos Direitos do Homem, pelas idéias dos enciclopedistas franceses liderados por Diderot e pela ação da Maçonaria com a sua filosofia liberal. Os dois principais patriotas brasileiros foram os maçons Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Após seus estudos na Europa, regressaram ao Brasil e desenvolveram uma política ativa de engajamento libertário, com metas diferentes entre si, os que os tornou rivais. Ledo propunha um rompimento total com Portugal e Bonifácio, como conservador e vinculado ao poder econômico, queria a união com o reino de Portugal. A luta ideológica das duas facções começou nos Templos maçônicos, assumindo posteriormente caráter público através da imprensa e dos institutos constitucionais da época. O grupo de Ledo obteve de Dom Pedro I  a decisão do "Fico" e concedeu-lhe o título de Defensor Perpétuo do Brasil, conforme proposta da Loja Comércio e Artes, em 1822. A fundação, por Ledo, do Grande Oriente do Brasil, em 17 de Junho de 1822, procurou o envolvimento definitivo de Dom Pedro I na luta libertária dentro dos princípios do grupo liberal. Dom Pedro I foi eleito Grão Mestre em substituição a José Bonifácio.


As brigas entre Ledo e José Bonifácio prosseguiram cada vez mais encarniçadas, provocando, infelizmente, uma cisão na família maçônica, incluindo o fechamento de todas as sociedades secretas. Ledo partiu para o exílio e quando regressa ao Brasil e ao Legislativo, vê perdido seu antigo prestigio e vai isolar-se em sua fazenda, onde morre em 19 de maio de 1847. Da sua parte, José Bonifácio sofreu os embates das ambições políticas e foi destituído do cargo de tutor do futuro Dom Pedro II, ficando preso na sua casa na ilha de Paquetá, falecendo em 6 de abril de 1838.


BIBLIOGRAFIA

Compilado da Revistas Maçônicas do Chile e Revista A Verdade

Publicado na Revista A Verdade de Janeiro/Fevereiro de 1987

 

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”

KHALIL GIBRAN

domingo, 4 de outubro de 2026

REFLEXÃO DO DIA 04.10.26


Não tenhamos receio de nos expormos a um bom  amigo, através da palavra, e nem nos cause estranheza o que alguém venha nos dizer a respeito de si mesmo. Não há quem não necessite da complacência dos ouvidos alheios.

Quão raro são os que sabem escutar. O receio de não serem compreendidos faz com que muitos se calem e carreguem sozinhos a cruz que lhes pesa na alma.

No entanto, em qualquer diálogo, a não ser com o sincero propósito de auxiliar, nunca mencionemos as falhas de uma terceira pessoa.

Ao conversarmos com alguém, falemos de nós, entre nós, mas não dos outros, principalmente na ausência deles. Ora, todos  nós, um dia, haveremos de nos revelar como somos. 

É sempre bom que substituamos a crítica negativa pelo sabor edificante da compaixão, pois, na verdade, quando falamos sobre os outros, há sempre algo de nossa própria verdade que preferimos ignorar.

Escutemos com paciente atenção todo aquele que procura em nós um ombro amigo, ajudando-o, não nos esquecendo de que amanhã poderemos estar na mesma condição e necessidade, e que “é dando que se recebe”.


Neste domingo, mantenhamos nossa disposição para encerrarmos um excelente final de semana, conscientes de que, o que doarmos ou negarmos ao nosso próximo nos retornará mais cedo ou mais tarde. Optemos pela melhor escolha.


Um abraçaço!

sábado, 3 de outubro de 2026

Amanhã não podemos entregar o Brasil - Alinhamento Ideológico e Ingerência Eleitoral Directa

 

A interferência de Donald Trump na política de países pequenos e em desenvolvimento baseia-se em uma abordagem fortemente transacional, unilateral e de extrema pressão. Sob a diretriz de sua doutrina "América Primeiro" (America First), a diplomacia tradicional baseada em regras e instituições multilaterais perde espaço para a imposição direta de poder econômico, militar e digital. Para nações de menor porte, que carecem de grandes mercados internos ou poder de barganha, essa postura traduz-se em uma ingerência direta em suas soberanias.

Essa influência e interferência política ocorrem de quatro maneiras principais:
1. Coerção Econômica e Ameaça de Tarifas
Trump utiliza o acesso ao mercado dos Estados Unidos e a dependência financeira como armas de alavancagem política. Em nações menores que dependem umbilicalmente das exportações para os EUA, as ameaças de imposição de tarifas ou corte de recursos são devastadoras.
  • Honduras: Trump ameaçou abertamente cortar o envio de remessas financeiras ao país caso a candidata progressista Rixi Moncada vencesse as eleições, além de pressionar publicamente as autoridades eleitorais locais.
  • Colômbia: Houve episódios de corte de verbas e ameaças de sanções tarifárias e operacionais devido a atritos ideológicos e insatisfações com políticas locais, como a recepção de voos de deportados.
  • Corte de Ajuda Externa: A administração Trump reduziu drasticamente os fundos de assistência internacional e redirecionou agências humanitárias, sufocando projetos de desenvolvimento em economias frágeis que não se alinham à sua agenda.
2. Alinhamento Ideológico e Ingerência Eleitoral Directa
Ao contrário da diplomacia tradicional, que costuma manter neutralidade formal em pleitos estrangeiros, o governo Trump apoia abertamente candidatos de extrema-direita e ataca lideranças de esquerda ou progressistas.
  • O apoio explícito a candidatos alinhados ocorre por meio de discursos públicos e intervenções digitais organizadas.
  • Paralelamente, redes de desinformação coordenada e estrategistas digitais ligados ao ecossistema político de Trump atuam em solo estrangeiro para inflar projeções favoráveis aos seus aliados e semear desconfiança contra sistemas eleitorais locais, como verificado em disputas recentes na América Latina.
3. A Nova "Doutrina Donroe" nas Américas
Em um desdobramento da histórica Doutrina Monroe, a estratégia de Trump para o Hemisfério Ocidental foca em fechar as Américas sob domínio exclusivo dos EUA para contrapor a influência da China e da Rússia.
  • Pequenos países do Caribe, da América Central e da região andina são forçados a se integrar em coalizões de segurança e comércio desenhadas por Washington.
  • Nações que resistem a essa imposição — ou que mantêm governos considerados hostis — enfrentam embargos severos (como o bloqueio marítimo a Cuba e intervenções cirúrgicas contra a Venezuela), enquanto o governo americano discute abertamente o controle e a tomada de territórios estratégicos, como o Canal do Panamá e a Groenlândia.
4. Fragilização do Direito Internacional
A política externa de Trump rejeita a mediação da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou da ONU para a resolução de disputas, preferindo negociações bilaterais de força ("lei da selva"). Sem um sistema de regras internacionais ativo para protegê-los, os países pequenos perdem a igualdade jurídica e são obrigados a aceitar condições assimétricas de comércio, propriedade intelectual e exploração de recursos naturais para não sofrerem retaliações unilaterais da Casa Branca.

REFLEXÃO DO DIA 03.10.26

O perdão pressupõe julgamento. E julgar é arrogar-nos um poder que não nos pertence. Nós poderíamos criar do nada uma árvore, reger uma sinfonia dos ventos, ou mesmo que por um pouquinho, tornar mais brilhante uma estrela? Está claro que não. Temos irrevogáveis limites.

Pois então, paremos de agir como se fôssemos quem não somos. Não julguemos levianamente e compreenderemos que não há nada e nem ninguém que necessite do nosso perdão resultante de falsos e/ou precipitados julgamentos.

A própria benevolência da vida encarrega-se das inevitáveis corrigendas a todos indistintamente. Nos limitemos a dar liberdade e, aí sim, viveremos na verdade. 

Refletindo um pouco mais concluiremos que há sim, um único ser humano carente do nosso perdão: nós mesmos. Somos nós que criamos nossa realidade em todas as suas formas. 

Quando compreendermos e aceitarmos que temos essa responsabilidade, nos sentiremos livres dos pesados e incômodos fardos do medo e das nossas limitações.

A partir daí, passaremos a amar tudo o que possui vida, e não aquilo ou quem julgamos digno de perdão. Saberemos, então, que sempre tivemos o perdão que buscamos, porque a vida nos permitiu que tudo fosse como quisemos, pois somos livres para fazer nossas escolhas.


Neste sábado, pensemos na magnitude do perdão pela Graça Divina aos nossos semelhantes e, principalmente, à justa  tolerância conosco mesmos.


Um abraçaço!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Entre a Tradição Iluminista e o Radicalismo Moderno

A Infiltração da Extrema-Direita na Maçonaria do Brasil

Introdução
Historicamente associada aos movimentos de independência, à abolição da escravatura e à proclamação da República no Brasil, a Maçonaria fincou suas raízes no país sob a égide dos ideais iluministas e liberais do século XIX. Contudo, a imagem contemporânea da Ordem tem passado por profundas transformações. Longe de ser apenas um espaço de livre-pensamento, a Maçonaria brasileira converteu-se, em grande parte, em um polo de preservação conservadora, abrindo margem para a influência de discursos associados à extrema-direita. 
O Fio Condutor do Anticomunismo Institucional
De acordo com análises históricas recentes divulgadas por pesquisadores na plataforma ResearchGate, a guinada conservadora da maçonaria brasileira não é um fenômeno puramente recente. O marco fundamental dessa transição remonta ao Decreto nº 1.579 de 1938 do Grande Oriente do Brasil (GOB), que institucionalizou o anticomunismo dentro da Ordem. 
Essa postura ideológica consolidou-se durante o apoio ao golpe civil-militar de 1964 e perpetuou-se como um denominador comum nas elites maçônicas. A defesa intransigente da ordem vigente, da propriedade privada e a aversão às pautas de esquerda criaram o ecossistema perfeito para que o discurso da extrema-direita contemporânea florescesse com facilidade nos templos. 
A Ascensão do Bolsonarismo e a Ocupação dos Espaços
A simbiose entre a extrema-direita e a Maçonaria ganhou contornos explícitos com a ascensão do bolsonarismo. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro e diversas figuras de seu ecossistema político — como o ex-vice-presidente Hamilton Mourão — frequentaram assiduamente lojas maçônicas para discursar e consolidar alianças. Em 2022, a viralização de vídeos antigos de Bolsonaro discursando em templos evidenciou à opinião pública o quanto a Ordem servia de plataforma de articulação para o radicalismo de direita.
Essa aproximação gerou efeitos claros:
  • Uso de Símbolos: O compartilhamento de simbologias maçônicas por grupos radicais para legitimar discursos de superioridade moral. 
  • Posicionamentos Institucionais: Manifestações públicas de confederações maçônicas alinhadas a pautas ultraconservadoras, combatendo decisões de instâncias progressistas ou do Judiciário. 
  • Disseminação de Narrativas: A aceitação interna de teorias conspiratórias globais — como o pânico moral em torno do "globalismo" ou do "marxismo cultural" — que dialogam diretamente com a cartilha da extrema-direita mundial.
O Choque com a Ética Maçônica e as Resistências Internas
Apesar da hegemonia conservadora nas lideranças, essa infiltração ideológica divide opiniões no ambiente maçônico. Setores mais tradicionais e progressistas argumentam que o dogmatismo e a intolerância da extrema-direta são frontalmente incompatíveis com os antigos marcos regulatórios (Landmarks) e com o dever de tolerância religiosa e política mútua. 
Historicamente, a Maçonaria pressupõe-se um terreno neutro onde homens de diferentes credos e visões de mundo constroem o aperfeiçoamento social. Quando a Ordem se transforma em correia de transmissão de radicalismos partidários, ela sacrifica sua vocação universalista para agir como um "clube político fechado".
Diante desse cenário, potências maçônicas e grão-mestres tentam equilibrar-se de forma pragmática, promovendo ocasionalmente agendas plurais e reuniões com diferentes autoridades da República no intuito de mitigar a pecha de radicalismo unilateral.
Conclusão
A infiltração da extrema-direita na Maçonaria brasileira reflete a própria polarização que acomete a sociedade civil. Ao abraçar o discurso radical como blindagem contra as transformações sociais modernas, parcelas expressivas da maçonaria brasileira distanciaram-se do seu passado revolucionário e progressista. O grande desafio da instituição para o futuro reside em resgatar a autonomia de seus templos, impedindo que a busca secular pelo conhecimento seja sufocada pelas conveniências do extremismo político.

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